MÚSICA

21.07 — quinta-feira, 21:30h

 

Orquestra Gulbenkian

 

Mário Laginha piano

Pedro Neves direção musical

Mário Laginha

Concerto para Piano e Orquestra

 

Ludwig van Beethoven

Sinfonia em Dó menor, op.67

Mário Laginha explica-nos que o seu mundo musical “é forçosamente contaminado pelas características que me atraem em qualquer estilo e música”. E neste seu Concerto para piano e orquestra com três andamentos, estreado em 2009 no 31.º Festival Internacional de Música do Algarve, não recusa as referências de Mozart, Beethoven, Prokofiev ou Ravel, mas também as do jazz ou mesmo da música étnica. Os primeiros acordes da 5.ª Sinfonia em Dó menor, op.67 de Beethoven, estreada em Viena em 1808, identificam, de imediato, uma das obras mais conhecidas da música ocidental de todo o mundo em que os seus quatro andamentos oscilam uma tensão e uma solenidade que, no final da obra, se dissolvem num clima arrebatador de magnificência e de triunfo.

Orquestra Gulbenkian

A Orquestra Gulbenkian foi fundada em 1962. Inicialmente constituída por 12 músicos, conta hoje com um efetivo de sessenta e seis instrumentistas, número que pode ser aumentado de acordo com os programas executados. Esta constituição permite-lhe tocar um amplo repertório que abrange os principais períodos da História da Música, desde o Classicismo à Música Contemporânea. Em cada temporada, a Orquestra Gulbenkian realiza no Grande Auditório uma série regular de concertos, colaborando com alguns dos mais reputados maestros e intérpretes. Sendo uma referência musical no nosso país, distinguiu-se também em muitas das principais salas de concertos do mundo. Ao longo da sua história, a Orquestra Gulbenkian gravou diversos discos que receberam importantes prémios internacionais. Paul McCreesh é o atual maestro titular da Orquestra Gulbenkian, sendo Susanna Mälkki a maestrina convidada principal e Joana Carneiro e Pedro Neves os maestros convidados. Claudio Scimone, titular entre 1979 e 1986, é maestro honorário, e Lawrence Foster, titular entre 2002 e 2013, foi nomeado maestro emérito.

Mário Laginha

Com uma carreira que leva já mais de duas décadas, Mário Laginha é habitualmente conotado com o mundo do jazz. Mas o universo musical que foi construindo é mais vasto, passando pelas sonoridades brasileiras, indianas, africanas, pela pop e o rock, e pelas bases clássicas que presidiram à sua formação. Mário Laginha gravou um único disco a solo, Canções e Fugas, e tem partilhado a sua arte com outros músicos e criadores: Maria João, Pedro Burmester, Bernardo Sassetti até ao seu inesperado desaparecimento, Cristina Branco, e músicos como Trilok Gurtu, Gilberto Gil, Lenine, Ralph Towner, Manu Katché, Dino Saluzzi, Kai Eckhardt, Julian Argüelles, Howard Johnson, André Mehmari ou Django Bates. A obra mais recente de Mário Laginha Trio é Mongrel, e Iridescente é a sua última aventura musical com Maria João. Mário Laginha e o seu Novo Trio lançaram Terra Seca, um disco que desbrava novos caminhos para o jazz e a música portuguesa.

 
O concerto para piano está entre algum do reportório musical que mais me apaixonou ao longo dos anos. Mozart, Beethoven, Brahms, Schumann, Prokofiev, Rachmaninoff, Ravel entre outros, escreveram concertos com uma inspiração e uma técnica orquestral que facilmente fazem alguém como eu sentir-se intimidado com a perspetiva de também o tentar fazer. Decidi, assim, que tinha que pôr de lado esse peso e encarar a tarefa com a mesma descontração com que componho para formações bem mais pequenas. As minhas influências passam por muitos dos compositores que referi, mas também pelo jazz, a música étnica, etc, etc.   Talvez seja um pouco redutor, mas parece-me aceitável dizer que a linguagem do jazz se desenvolveu afastando-se do universo clássico. A forma como se tocam os instrumentos, o som que se tira deles, as próprias formações, tudo isso conferiu uma identidade muito própria ao jazz. Por essa razão, pode parecer um contrasenso tentar reaproximar aquilo que naturalmente se separou.   Mas não é assim que eu vejo a questão. O meu universo musical é forçosamente contaminado pelas características que me atraem em qualquer estilo de música. Aquilo que eu pretendo fazer é simplesmente tentar perceber o que posso utilizar, como devo utilizar e quando utilizar essas características. É um terreno difícil, mas não foi o risco que me fez desistir de experimentar.
  Mário Laginha
Pedro Neves

Pedro Neves é maestro titular da Orquestra Clássica de Espinho, assumindo recentemente o cargo de maestro convidado da Orquestra Gulbenkian. Foi maestro titular da Orquestra do Algarve entre 2011 e 2013, e é convidado regularmente para dirigir a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música, a Orquestra Sinfónica Portuguesa, a Orquestra Metropolitana de Lisboa, a Orquestra Filarmonia das Beiras, a Orquestra Clássica do Sul, a Orquestra Clássica da Madeira, a Joensuu City Orchestra (Finlândia) e a Orquestra Sinfónica de Porto Alegre (Brasil). Em 2012 colaborou pela primeira vez com a Companhia Nacional de Bailado. No âmbito da música contemporânea tem colaborado com o Sond’arte Electric Ensemble, com o qual realizou estreias de vários compositores portugueses e estrangeiros, realizando digressões pela Coreia do Sul e Japão, com o Grupo de Música Contemporânea de Lisboa, e com o Remix Ensemble Casa da Música. Pedro Neves iniciou os seus estudos musicais na sua terra natal, estudou violoncelo com Isabel Boiça, Paulo Gaio Lima e Marçal Cervera, respetivamente no Conservatório de Música de Aveiro, Academia Nacional Superior de Orquestra em Lisboa e Escuela de Música Juan Pedro Carrero em Barcelona, com o apoio da Fundação Gulbenkian. No que diz respeito à direção de orquestra estudou com Jean Marc Burfin, obtendo o grau de licenciatura na Academia Nacional Superior de Orquestra, com Emilio Pomàrico em Milão e com Michael Zilm, do qual foi assistente. O resultado deste seu percurso faz com que a sua personalidade artística seja marcada pela profundidade, coerência e seriedade da interpretação musical.